Domingo, 30 de Outubro de 2005

Impressões sobre memória cultural

Quando ontem à tarde cheguei a casa, liguei a televisão, como é meu hábito, enquanto lanchava. Fiz um pouco de zapping, permanecendo alguns minutos nalguns canais. A RTP1 emitia a repetição de um programa dedicado à música e à televisão, «Música no Ar», desta vez subordinado ao tema aos anos 90. Curioso, os anos 90 são tão recentes e havia imensas coisas que já me tinham fugido da memória.
Fui deambulando pelos vários canais e terminei na 2:. Estava a começar a repetição do programa, «A Revolta dos Pasteis de Nata». Entre as piadas já velhas retiradas dos emails jocosos que circulam por aí, o apresentador anunciou o tema do programa: «O que é nacional, não é bom?».
Cruzando todos os pequenos pedaços televisivos, dei por mim a fazer algumas considerações ao recordar-me do que tinha acontecido numa das minhas aulas de português. Estávamos a estudar a crónica e eu tinha levado um texto da Laurinda Alves em que ela falava da avó. Na crónica, a dada altura, ela dizia que a avó tinha nascido em 1900 e vivido períodos de guerra e períodos de paz. Questionei os miúdos sobre que guerras tinha ela assistido. A primeira resposta foi o 25 de Abril. Acabei por entrar na história do século XX e referir todos os cataclismos nacionais e internacionais que influenciaram a vida no nosso país. Muitos parecia que era a primeira vez que ouviam falar de senhas de racionamento, de ditadura, de guerras mundiais, questionando-me, por exemplo, sobre quem tinha ganho a 2.ª Guerra Mundial. Lá consegui que alguns me falassem nas "bombas nucleares", consegui fazer entender (assim espero) que Pearl Harbour não é só um filme e que reconhecessem que no tempo de Salazar não havia liberdade de expressão.
É triste para mim ver que a História de Portugal, reparem que falo da história recente, se perca nos fumos da memória curta dos homens. Sei que muita gente da minha geração tem uma ideia muito vaga e se está marimbando para o que aconteceu antes do seu nascimento, sei que cada vez menos há uma identificação com as nossas raízes culturais, com as nossas tradições populares e as pessoas consideram que o que é nacional não é bom, importando tudo o que vem do estrangeiro, o bom e o mau.
Não me entendam mal, eu sou uma defensora do multiculturalismo, considero que as culturas devem conhecer-se e respeitar-se, mas como podemos dar a conhecer quem nós somos se cada vez mais perdemos as nossas raízes e as deixamos degradar...
Numa das minhas aulas de russo, a professora referia que não havia equivalente em russo para o nosso conceito de saudade. Eu temo que daqui a poucos anos, saudade, passe a ser um mero «miss you» ou «souvenirs». Temo que daqui a uns anos ninguém saiba, por exemplo, quem foram Amália Rodrigues, Zeca Afonso ou até mesmo quem é o Eusébio e estou convicta de que 3 quartos (e estou a ser optimista) dos que cantam a «Maria Albertina» não fazem a mínima ideia de quem foi António Variações.
publicado por impressoesdigitais às 12:35
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Quinta-feira, 27 de Outubro de 2005

Impressões sobre comparações

Se há coisa que sempre detestei desde a infância, foi a tendência que as pessoas têm de comparar os outros com outros que lhes parecem ser semelhantes de algum modo. Embora não tendo irmãos, os meus pais arranjaram sempre termos de comparação para julgar os meus feitos académicos, por exemplo, e, claro, escolhiam sempre os exemplares que eram mais bem sucedidos do que eu.
Por estes dias revoltei-me com a forma como a escola está a tratar um dos meus alunos que é oriundo de um país de leste. Esqueceram-se de lhe providenciar aulas de apoio a língua portuguesa, e para não me pagarem, depois de várias tentativas absurdas, obrigaram uma das professoras da escola a prestar-lhe auxílio, quando esta já tinha a seu cargo alunos portadores de deficiências. Uma das pessoas que fazem parte do conselho executivo comparou o miúdo com uma outra menina também oriunda de um país de leste, que aprendeu português em 6 meses só com a ajuda da televisão. Pois é, esqueceu-se esta senhora que nem todos somos sobredotados, nem todos somos capazes de aprender línguas rapidamente e se calhar nem todos temos televisão em casa.
Talvez por este tipo de comparações que se fazem haja miúdos que cresçam convencidos de que não têm capacidades, de que são burros, de que são diferentes dos outros. Talvez por isto me sinta às vezes tão desconfortável com o ensino de massas. Talvez por isso admire tanto projectos como a Escola da Ponte. Talvez por isso me tenha sentido como peixe na água quando dei aulas no ensino recorrente e tinha alunos que aprendiam ao seu ritmo, sem terem de ser obrigados a acompanhar os colegas. Talvez por isso seja utópica e sonhe com um ensino que tenha em conta o estilo de aprendizagem dos alunos e que deixe de os comparar através de parâmetros muito pouco fiáveis.
publicado por impressoesdigitais às 19:28
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Impressões climatéricas

Gosto de dias de chuva... quando posso ficar em casa, quando não tenho de tirar o carro da garagem para ir dar explicações a um miúdo que acaba por não aparecer, interrompendo a correcção dos testes que fluia. Mas gosto de chegar a casa e de me enfiar debaixo do chuveiro e sentir a água quentinha escorrer pelo meu corpo, vestir depois uma roupa confortável e sentar-me confortavelmente no meu sofá e sentir a chuva cantar lá fora. Que afortunados somos nós os que podemos ter o conforto de uma casa para nos abrigarmos quando chove!
publicado por impressoesdigitais às 19:08
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Terça-feira, 25 de Outubro de 2005

Impressões teatrais 2

#1

Acabo de chegar de uma das minhas aulas de iniciação ao teatro. Chego sempre de lá muito enriquecida, sentindo as ideias borbulhando e as emoções ainda soltas. Os elementos do grupo que se reúne para 3 horas diferentes todas as segundas-feiras, são de faixas etárias variadas, de diferentes proveniências, uns mais experientes do que outros nas técnicas de representação, e com objectivos diferentes a retirar destas aulas.
Pela minha parte há dois motivos que me puxaram para frequentar o curso: um, a concretização de uma vontade antiga, um pequeno teste às minhas capacidades; o outro, aprender algumas técnicas que me possam auxiliar na minha profissão. Em suma, busco ali um enriquecimento quer pessoal, quer profissional.

#2

Dentro do grupo existem pessoas de extraordinário talento, capazes de por exemplo nos contarem uma história usando apenas o corpo, ou detentoras de uma voz potente. Mas ali parecem não existir diferenças, cada um funciona por si mas também com os outros.
São os miúdos que eu admiro mais. Falo de miúdos com idades entre os 14 e os 16 anos, dotados de uma grande sensibilidade e de um grande talento.
Na última sessão trabalhei com uma miúda talvez de 15 anos. A professora indicou-nos que deveríamos simular uma tortura, mas uma tortura à distância, usando apenas o gesto: eu fingia que a torturava e ela tinha de corresponder aos meus gestos. Foi surpreendente, enquanto eu simulava que lhe batia, ela virava-se, contorcia-se e tudo com uma expressão facial extraordinária, captando o medo e a angústia que alguém numa situação daquelas deveria sentir. Fantástico.

#3#

-Tens de estar atento ao outro, pôr-te na pele dele. Observa-o, identifica o que ele te está a transmitir. Confia no outro, deixa-te guiar.
-Agora tu e ele vão improvisar uma cena, só podendo dizer as seguintes palavras...

Improvisar é uma das tarefas mais difíceis, principalmente quando o improviso é a dois e não fazemos ideia do que o outro está a pensar fazer, só sabemos que temos de interagir com ele.
Mas no fundo o que fazemos nós nesta vida? Improvisamos quotidianamente. O problema é que não temos uma professora que nos oriente para a concretização de uma cena e se representarmos mal as consequências serão muito piores do que ser vaiado pelos espectadores.
publicado por impressoesdigitais às 00:38
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Sábado, 22 de Outubro de 2005

Impressões Cinematográficas

O Cineclube de Aveiro tem desenvolvido ultimamente algumas acções interessantes, tendo ressuscitado o Cinema Oita, a quem tinha sido já passada certidão de óbito. Nos últimos dois sábados promoveram matinés gratuitas com bons filmes. Decidi aproveitar a oportunidade e fui ver o filme Intervalo (Intermission)

intervalo.jpg

que tinha como cabeça de cartaz o menino Colin Farrell (aqui com um papel de menino mau), contando também com as representações de Cilian Murphy (ai aqueles olhos azuis!!!!), Colm Meany e Shirley Anderson.

11657gr1.jpg

m7_jpg.jpg

O filme irlandês, é basicamente um estudo de comportamentos humanos, entrelaçando várias histórias: o casal de namorados que se separa; os jovens que trabalham num supermercado e são maltratados pelo patrão; o marido que decide trocar a mulher por outra mais jovem; a mulher que se vê abandonada pelo marido, e sentindo necessidade de ser desejada se envolve com um rapaz mais novo; o delinquente que organiza um assalto que acaba por correr mal; o polícia duro que queria que fizessem um filme sobre ele, se julgava campeão de boxe e adorava música celta; o condutor de autocarro que é despedido porque um miúdo maldoso atira uma pedra ao párabrisas; a rapariga que se descuidou do seu visual depois de ter sido enganada e humilhada pelo namorado; um realizador obrigado a fazer documentários medíocres.
Com momentos de humor e apontamentos de drama, é sobretudo um filme sobre pessoas e relações humanas. Não é daqueles filmes que eleja como filme da minha vida, mas é um filme que me satisfez.
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Sexta-feira, 21 de Outubro de 2005

Impressões...

Esta tarde saí de casa para trabalhar. As nuvens cobriam o céu mas o sol espreitava. Enquanto ensinava pronomes e determinantes, olhei para a janela e vi as nuvens correndo, rasgando-se, fendendo-se, abrindo-se para dar lugar a um azul celeste. Seria um bailado, uma dança provocada pelo vento, aquela agitação repentina das nuvens.
Passei o resto da tarde em casa de uma amiga. Quando saí, já à tardinha, o céu ofereceu-me um daqueles espectáculos que me enchem os olhos de cor e a alma nem sei bem de quê. As nuvens incandescentes, o céu repleto de matizes e escurecendo-se lentamente.
Aqui há uns anos tb assisti a um espectáculo assim, talvez na mesma altura do ano, num dia com semelhantes condições climatéricas em que a chuva dera lugar ao sol. Na altura expressei um desejo: como gostava de saber pintar para captar a beleza daquele céu. Ao meu lado caminhava alguém entendido em artes que me disse: «Já imaginaste a quantidade de cores e matizes que seriam necessárias para fazer semelhante quadro? Isso é impossível».
Mas hoje voltei a olhar para o céu e pensei: «Quem me dera saber pintar para captar um céu assim». É que nunca ninguém poderá olhar pelos meus olhos para dizer que é impossível captar algo assim... a mim só me faltam os instrumentos para o fazer... nunca se sabe se não os virei a adquirir e até lá... vou continuar a sonhar com o céu que gostaria de pintar.
publicado por impressoesdigitais às 23:39
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Quarta-feira, 19 de Outubro de 2005

Impressões Poéticas

Dedicado a...

Cavaleiro de espada em punho
Voando nas asas de um dragão
Segues na vida apenas o rumo
Que defendes a golpes de espada
Voa, voa, voa
Luta, luta, luta
Defende-te com o teu escudo
Dos sobressaltos da vida
Porque quando quiseres repousar
Encontrarás facilmente o alento
Recuperando as forças para travares as novas batalhas
Que a tua imaginação te ditar
Ou te determinar a vida
Só não lutes contra moinhos-de-vento
Nem sempre todos os obstáculos
São sinais de perigo
E sonha
menino grande
sonha sempre, cavalgando de nuvem em nuvem
Até encontrares o lar que tanto ambicionas
E nele achares o apoio
para continuares a travar as batalhas da tua vida
E serás grande, muito grande
Sem deixar de ser menino

publicado por impressoesdigitais às 23:29
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Domingo, 16 de Outubro de 2005

Impressões pictóricas

Sinto-me assim

solidao.jpg

e assim

1103442578.jpg

e assim

sofrer-thumb.jpg

mas vai passar...

enquanto acreditar que ainda vou ter dias assim...

Primavera.jpg
publicado por impressoesdigitais às 21:29
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Impressões climatéricas

Vi hoje o Outono verdadeiramente nas folhas douradas rodopiando, no vento frio, nas nuvens anunciando a chuva. Esteve hoje diante dos meus olhos o que já sinto dentro de mim há tanto, tanto tempo.
publicado por impressoesdigitais às 17:48
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Sábado, 15 de Outubro de 2005

Impressões histórico-familiares

Uma reportagem da SIC vista na companhia do meu pai e descubro que ele já foi preso pela PIDE por ter atravessado a fronteira e vigiado por denúncia infundada de querer fugir para França!
publicado por impressoesdigitais às 23:41
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