Domingo, 13 de Novembro de 2005

Impressões estranhas

Esta noite sei que fiz um poema. Construi-o, como tantas vezes me acontece, ao deitar. Não o registei, como sempre me acontece, na esperança de o encontrar ao acordar. Mas perdi-o. E é estranho porque acontece-me também antes de adormecer lembrar-me que não coloquei algo na pasta para o dia seguinte, mas quando acordo lembro-me nitidamente do objecto em falta, como se o pensamento tivesse apenas sido interrompido pelo sono e retomado no dia seguinte. Contudo, com os poemas isso nunca acontece.
Eu sinto que o meu poema era lindo, como se tu que não sei ao certo quem és, a quem às vezes dou um rosto que não sei se é o teu, mo soprasses e depois te arrependesses. Mas sei que estiveste comigo esta noite, sei que me aconchegaste durante a noite e me segredaste poemas ao ouvido, só não entendo porque de manhã quando acordo já lá não estás e não me lembro da poesia que juntos fizémos. Porque me apareces só à noite quando durmo? Porque o rosto com que às vezes sonho não me aconchega, me abraça e me segreda poemas ao ouvido? Porque tudo o que me resta de ti é sempre esta lembrança vaga de um poema que sei que é lindo mas que não consigo escrever?
publicado por impressoesdigitais às 15:03
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4 comentários:
De Anónimo a 14 de Novembro de 2005 às 23:19
Conheço bem essa sensação que descreves. Tenho até um poema sobre a efemeridade dos poemas mentalmente feitos à noite. O que eu costumo fazer, quando algum decide importunar o meu descanso, é levantar-me imediatamente e escrevê-lo. E descobri uma coisa curiosa: se não o escrever antes de adormecer o mais certo é de manhã esquecê-lo. Mas se o escrevo antes de dormir, é certo que de manhã o recordarei sem sequer precisaer olhar para o papel. A mente humana é um estranho labirinto, no qual nem sempre temos a ajuda para escapar depois de chacinado o Minotauro.Mauro
(http://cognosco.blogs.sapo.pt)
(mailto:mauro.maia@sapo.pt)
De Anónimo a 13 de Novembro de 2005 às 21:09
Essas serão sempre as gotas de ouro que deixamos cair no escuro, que nunca recuperaremos. Teremos que nos contentar em tê-las visto cair, o último brilho foi para nós...luis
(http://bloquito.blogs.sapo.pt)
(mailto:luismpcardoso1@sapo.pt)
De Anónimo a 13 de Novembro de 2005 às 17:05
eu também tenho ideias geniais para post's á noite: sai tudo direitinho, as frases bem feitas, não me fogem as palavras... De manhã, não me lembro de nada! grrrrrsaltapocinhas
</a>
(mailto:saltapocinhas1@gmail.com)
De Anónimo a 13 de Novembro de 2005 às 16:07
Lindo...é este teu texto.Luís
(http://rotacaodostempos.blogs.sapo.pt)
(mailto:0164378702@netcabo.pt)

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