Quinta-feira, 25 de Janeiro de 2007

Impressões sobre o caso Esmeralda

Eu gosto de conhecer o outro lado da história. Não gosto de me ficar apenas pela versão de uma das partes e, muito menos, pela versão adulterada de terceiros sobre qualquer facto.

Foi impossível não tomar conhecimento do caso da menina que se encontra em paradeiro incerto e cujo pai de acolhimento foi preso, acusado do seu rapto.

O país mobilizou-se para pedir que o sargento Luís Gomes fosse libertado enquanto condenava o pai biológico que por capricho havia decidido reclamar a criança, quando na altura em que esta nasceu não quis assumir a paternidade.

Muitas dúvidas me surgiram relacionadas com este caso, principalmente depois de ver a mãe biológica na televisão. Uma reportagem publicada na revista Sábado permitiu-me ter um olhar diferente sobre esta história que, com as devidas ressalvas, se pode contar assim:

"Era uma vez um casal que se amava muito e desejava ter um filho, mas a mulher, devido a complicações de saúde, não conseguia engravidar. Um dia, a senhora terá ouvido falar de uma brasileira de 37 anos que queria dar a filha cujo pai de 22 não tinha querido assumir. Entusiasmada, a senhora falou com o marido e combinaram com a mãe da criança a entrega desta. Por ingenuidade, ignorância ou confiança cega, o casal apenas pediu à mãe que assinasse uma declaração em como prescindia dos direitos enquanto mãe. E de papel na mão e criança no colo, o casal considerou a partir daquele momento a menina como filha.

Foi então que a bruxa Burocracia apareceu para destruir a felicidade da família. A bruxa riu-se quando viu o ridículo papel que o casal transportava e mandou logo que preenchessem uma resma de papelada. Ordenou também que se averiguasse quem era o pai biológico da menina e foi então que o serralheiro de 22 anos, que não acreditava ser o pai, fez um teste que lhe provou o contrário. A menina tinha então um ano e o pai quis conhecê-la. Mas, o casal, temendo logo ficar sem a criança, esconderam-na do pai, por isso ele teve de pedir ajuda aos senhores juízes que lhe deram razão.

Entretanto, recusando entregar Esmeralda, o casal Luís e Adelina organizou-se de forma a que a mulher desaparecesse com a menina. O marido acabou por ser preso. O pai, Baltazar, tem um quarto cheio de peluches há mais dois anos à espera da filha que nunca mais viu desde o dia em que fez o teste de ADN e não acreditava que era o seu pai."

Esta é a história. Cada um que tire as conclusões que quiser. Quanto a mim, deixo as seguintes considerações:

- o casal Luís e Adelina agiu mal de início. Acredito que o entusiasmo era grande por poderem ter uma criança, mas deviam saber que, para a felicidade de todos, não se pode passar por cima da lei. Agiu mal, novamente, ao não permitir que o pai biológico contactasse com a criança. Quem sabe se o diálogo com o pai biológico, na altura com 22 anos, não poderia tê-lo feito concordar em entregar-lhes a custódia da filha?

- compreendo a posição de Baltazar e acredito que ele tivesse razões para pensar que a criança não era filha dele. Há quatro anos que ele luta para ter a filha biológica. Negaram-lhe até hoje a possibilidade de se aproximar da filha.

- Luís e Adelina negociaram a entrega de Esmeralda com Aidida. A mãe diz que a entregou voluntariamente. Ainda que não tenha havido contrapartidas financeiras, a imagem "troca comercial" não me sai da cabeça. Eles não adoptaram efectivamente Esmeralda.

- não concordo com a sentença pesadíssima do juiz em relação a Luís e o facto de ele estar preso para ficar com a criança mostra a afeição que lhe tem

- quanto a mim este processo poderia ter ficado logo resolvido se a justiça fosse célere e a criança tivesse sido entregue ao pai quando ele soube que esta era sua filha. O casal Luís e Adelina, por muito que sofressem com a separação, certamente lhes seria menos penoso ficar sem Esmeralda quando esta tinha apenas 1 ano de idade. E se os processos de adopção fossem céleres, no espaço de pouco tempo poderiam adoptar legalmente uma criança.

- Esmeralda estará realmente feliz? Esta é a grande questão que se coloca aqui. A menina está escondida há muito tempo. Imaginem que esta situação se arrasta. O que vai ser do futuro dela?

publicado por impressoesdigitais às 21:44
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1 comentário:
De saltapocinhas a 4 de Fevereiro de 2007 às 18:48
eles (casal adoptante) podem ter agido mal, mas neste país se não agissem assim a criança a esta hora estaria nalguma instituição. Assim vive feliz no seio duma familia.
O pai biologico não acreditou na mãe quando o devia ter feito e até apoiado naquela situação dificil (tão dificil que ela teve de dar a menina...)
Não nego que o pai biologico tenha os seus direitos, mas acordou tarde e agora deve entrar na vida da filha mas aos poucos até ela ter idade de compreender e de decidir.

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