Domingo, 6 de Novembro de 2005

Impressões musicais 2 - Problema de Expressão

Ultimamente também tenho ouvido muito esta. Sempre gostei desta letra do Carlos Tê e, de certa forma, acho que tem a ver comigo, porque às vezes sinto que tenho um problema de expressão e é geralmente junto daqueles de quem mais gosto que o problema se faz sentir, acabo por ser interpretada de maneira errada e por não dizer o que queria. É estranho que uma pessoa que usa quotidianamente a palavra como instrumento de trabalho se veja com esse problema, mas é a realidade. Quando toca à expressão de emoções só digo disparates, e quanto mais quero impressionar alguém, pior me saio. Enfim... e o pior de tudo é que quando algum dia quiser dizer amo-te, nem o poderei fazer a cantar.
Deixo-vos aqui a letra.

«Só pra dizer que te Amo,
Nem sempre encontro o melhor termo,
Nem sempre escolho o melhor modo.

Devia ser como no cinema,
A língua inglesa fica sempre bem
E nunca atraiçoa ninguém.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

Só pra dizer que te Amo
Não sei porquê este embaraço
Que mais parece que só te estimo.

E até nos momentos em que digo que não quero
E o que sinto por ti são coisas confusas
E até parece que estou a mentir,
As palavras custam a sair,
Não digo o que estou a sentir,
Digo o contrário do que estou a sentir.

O teu mundo está tão perto do meu
E o que digo está tão longe,
Como o mar está do céu.

E é tão difícil dizer amor,
É bem melhor dizê-lo a cantar.
Por isso esta noite, fiz esta canção,
Para resolver o meu problema de expressão,
Pra ficar mais perto, bem mais de perto.
Ficar mais perto, bem mais de perto.»
publicado por impressoesdigitais às 19:04
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Impressões teatrais 3

Na semana passada, na aula de iniciação ao teatro, tivémos de experimentar chapéus, escolher um e a partir dele criar uma personagem, inventando-lhe um modo de andar. Calhou-me um chapéu que pensei poder pertencer a uma senhora fina, uma tia. Mais tarde fizémos uma improvisação e ao tentar misturar as nossas personagens, acabei por ficar com dois filhos, um dos quais esquizofrénico. A professora mandou-nos alargar a personagem, dar-lhe uma idade, características... Resolvi criar uma autobiografia, digam-me se lhes parece consistente.

«O meu nome é Maria Isabel de Vasconcelos, Mimi para os amigos, ou tia Mimi se preferirem. A minha idade? Uma senhora nunca revela a idade. O papá era podres de rico, dono de muitas quintas. Essas coisas que circulam nas revistas sobre mim, de me chamar Maria Albertina, de ter nascido na Quinta da Merdaleja, do meu pai ser um caseiro e de eu ter nascido num curral de porcos são mentira, calúnias. Querem destruir a minha imagem! Era o que mais faltava uma senhora como eu, que só usa perfumes vindos de Paris e veste exclusivos dos melhores costureiros, ter nascido ao pé de semelhante animal! Estudei nos melhores colégios suiços e tive uma educação primorosa. Depois conheci o meu conde, o meu Miguel. Não é verdade que eu fosse empregada do hotel, isso é outra mentira. Eu e o Miguel conhecemo-nos no Spa do hotel. Ele ficou encantado com as minhas medidas perfeitas. Foi amor à primeira vista, que eu não me casei nem pelo dinheiro, nem pelo título, foi mesmo por amor. E esses jornalistas que dizem que o meu Miguel casou para esconder a homossexualidade, vão ser todos processados, todos processados, garanto. O meu Miguel é muito homem, temos dois filhos lindos, a Vává e o Miguelinho, um menino prodígio. E os meus filhos são o espelho do pai, ao contrário do que dizem.
O que faço durante o dia? Bom, essencialmente cuido da minha beleza: massagens, cabeleireiro, aulas de fitness. É claro que tenho um treinador só para mim. E é mentira que eu ande nos mercados a regatear com as vendedoras. Uma tremenda calúnia. Era o que mais faltava eu Maria Albertina, digo, Mimi de Vasconcelos andar em mercados sujos a regatear, imagine-se, por exemplo o preço do caviar. E claro que o meu Miguel não me abandonou, não fugiu com o motorista depois de ter enganado uns labregos, isso é uma falsidade de todo o tamanho. O Miguel está numa viagem de negócios, a tratar das nossas propriedades em Itália. Em breve irá regressar, vão todos ver. Já digo isso há dois anos? Ora, negócios são sempre coisas complicadas... Nas últimas festas tenho levado o mesmo vestido? Mas que mentira! Simplesmente gosto imenso daquele modelo Chanel e fizeram-me vários extremamente parecidos, mas nunca o mesmo, Mimi de Vasconcelos não usa o mesmo vestido! Eu trato todos os costureiros que contam por tu! Eu sou uma senhora, uma senhora!»
publicado por impressoesdigitais às 15:42
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Impressões sobre livros

Amanhã vou participar numa acção de formação sobre oficinas de leitura. Foi-nos pedido que levássemos um livro para partilhar a nossa experiência de leitura. Ora, este pedido, aparentemente simples, para mim não está a ser. Estou indecisa sobre que livro levar. Fazendo o balanço dos últimos livros que li, tenho várias hipóteses: O Vendedor de Passados de José Eduardo Agualusa, A Metarmofose de Franz Kafka, O Crime do Padre Amaro de Eça de Queirós, O Código Da Vinci de Dan Brown, Cem Anos de Solidão de Gabriel Garcia Marquez, Um Momento Inesquecível de Nicholas Sparks e estou a ler O meu país inventado de Isabel Allende. Alguns já risquei automaticamente da lista de possíveis livros de que me possa fazer acompanhar O Códido Da Vinci por não me ter impressionado por aí e por já ter sido tão falado; A Metarmofose por já o ter lido há algum tempo; Um momento Inesquecível , um livro tão fraco que não merece ser mencionado (foi-me oferecido por alguém e a única coisa para que os livros desse senhor me parecem apropriados é para telefilmes e O Crime do Padre Amaro também por já ter sido demasiado badalado, tanto mais que está nos cinemas uma nova versão cinematográfica (acho interessante que nós resolvamos pegar nas nossas obras literárias depois de os estrangeiros já o terem feito). Sobram-me 3 da lista de livros lidos recentemente, mas depois há os outros... os que já li e tornaria a ler muitas vezes... a poesia... Bem, o mais certo é pegar no livro que estou a ler e pronto, ficam desfeitas as dúvidas... Não é brilhante, mas é interessante por causa das referências ao povo chileno.
publicado por impressoesdigitais às 12:58
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Sábado, 5 de Novembro de 2005

Impressões sobre as notícias da semana

#1# Conflitos em França

Choca-me assistir a uma onde de violência num país como a França. Choca-me mas não me admira. Há muito que tenho conhecimento de que na França, o país da igualdade, fraternidade e liberdade, não existe igualdade de oportunidades para franceses e imigrantes, mesmo os oriundos das suas ex-colónias; não existe, muitas vezes, espírito de fraternidade para com aqueles que não têm a mesma cor da pele; e até a liberdade sai condicionada. Correspondo-me com uma pessoa que vive em França e me contou que estes conflitos são fruto de uma mau-estar que existe há muitos anos. Os imigrantes em França são postos num plano inferior, na maior parte das vezes, principalmente os oriundos de África. Dizia-me ele que não entendia o porquê deste tratamento diferenciado, mas que temia que o que está a acontecer em França, hoje, também venha a acontecer cá, mais dia menos dia. E quanto a mim tem razão. Se repararmos também os nossos imigrantes vivem em bairros periféricos em condições precárias. Esperemos que os nossos governantes tenham o bom senso de não lhes chamar escumalha, como fizeram os franceses.

#2# Eleições Presidenciais

Bem sei que esta não é uma notícia exclusiva desta semana. Trata-se de um tema que ainda vai ocupar várias semanas, entretendo as massas e desviando a atenção dos problemas reais. Também são necessários estes bonecos para nos divertir. A mim a política diverte-me, mais do que qualquer outra coisa. Acho piada aos políticos que dizem que não são políticos, às declarações de certos anciãos que nos tranquilizam dizendo que se forem eleitos podemos dormir descansados e a outros que garantem que vão salvar a nossa Pátria. Qualquer um destes senhores parece trazer uma fórmula mágica, o antídoto para qualquer pandemia, ou será que estudaram na escola de Hoggarts? Parece-me que não teriam competência para lá entrar, dificilmente encontrariam a plataforma correcta...

#3#A aliança feminina entre a educação e a cultura

As senhoras ministras da Educação e da Cultura decidiram assinar um protocolo que permite que um professor com horário zero (ou seja, um professor que recebe ordenado mas não tem alunos) possa transitar para o Ministério da Cultura. Trata-se de um protocolo que toda a gente aplaudiu, afinal não queremos professores a receber sem trabalhar, isto porque substituir professores que faltam e dar aulas de apoio, não é trabalhar... é passatempo.

#4# Para finalizar: uma boa notícia!

Ela desceu! Depois de meses a subir, a subir, a subir, finalmente, no espaço de duas semanas, o preço da gasolina desceu. Que bom! Já posso ir mais vezes à minha escola participar das muitas reuniões que me marcam e que duram, cada uma, cerca de três horas, quando no meu horário só constam duas...
publicado por impressoesdigitais às 23:20
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Impressões musicais

Cheguei a casa e ouvi esta música... Tive de deixar aqui a letra.

«No bairro do amor a vida é um carrossel
Onde há sempre lugar para mais alguém
O bairro do amor foi feito a lápis de côr
Por gente que sofreu por não ter ninguém
No bairro do amor o tempo morre devagar
Num cachimbo a rodar de mão em mão
No bairro do amor há quem pergunte a sorrir:
Será que ainda cá estamos no fim do Verão?
Eh pá , deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair um pouco
Eu sei que tu compreendes bem
No bairro do amor a vida corre sempre igual
De café em café, de bar em bar
No bairro do amor o Sol parece maior
E há ondas de ternura em cada olhar
O bairro do amor é uma zona marginal
Onde não há hotéis, nem hospitais
No bairro do amor cada um tem que tratar
Das suas nódoas negras sentimentais
Eh pá , deixa-me abrir contigo
Desabafar contigo
Falar-te da minha solidão
Ah, é bom sorrir um pouco
Descontrair um pouco
Eu sei que tu compreendes bem»

Jorge Palma
publicado por impressoesdigitais às 19:23
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Sexta-feira, 4 de Novembro de 2005

Impressões escritas

Primeira versão da fábula da cigarra e da formiga

Era uma vez uma formiguinha pequenina e trabalhadora.
Era uma vez uma cigarra robusta e cantora.
Era uma vez uma história simples de dois animais, repercutida de geração em geração com uma moral também simples.
Mas a história foi mal contada, servia apenas para transmitir o valor do trabalho e com o tempo ficou ultrapassada.
Recomecemos a história do início e contemo-la às novas gerações, em várias versões, não ocultando a verdade.
Era uma vez uma formiguinha que tinha fama de chata, viam-na a trabalhar o dia todo, sempre muito atarefada, não desviando os olhos das migalhas que transportava. Desde os tempos da escola das formigas que ela era assim, sempre muito direitinha e aprumada, aprendendo todas as técnicas de transporte de restos de comida e estudando os trajectos para evitar os dedos e os venenos dos humanos. Assim os outros insectos não se aproximavam dela. O que eles não sabiam é que a formiguinha tinha uma vida secreta. À noite, ela vestia umas asas e transportava migalhas que faltavam nos formigueiros pobres, salvava moscas presas em teias de aranha, e ajudava formigas a escapar de dedos humanos pequeninos que gostavam de esmagar formiguinhas indefesas. Ninguém sabia que a formiguinha chata era uma super-heroína. Isto até ter aparecido a cigarra...
A cigarra, dizia-se, passava os dias a cantar. Ninguém a via até cerca do meio-dia quando se levantava e começava a cantoria, parecendo zombar dos outros atarefados insectos. Andava sempre rodeada de amigos, animava todas as festas, trabalhar não era com ela, levava a vida com descontracção, sabendo que no fim tudo lhe correria bem. Era assim que todos a viam, era assim que todos gostavam dela. Mas ninguém sabia que à noite a cigarra trabalhava, ninguém imaginava que ia para a fábrica das abelhas, ajudar a transportar o pólen para os favos. Ninguém sabia até que uma noite a formiga e a cigarra se cruzaram. Apesar das asas, a cigarra reconheceu logo a formiga e ficou espantada. Ela acreditava na versão oficial de que a formiga era um ser chato, que só pensava em trabalho. Também a formiga se espantou, pois acreditava na versão da estouvada cigarra cantora.
Nada disseram uma à outra e passou algum tempo até que a formiga decidiu convidar a cigarra para ir até ao seu cantinho no formigueiro. A cigarra ficou espantada com o equipamento da formiga: computadores, aparelhos sofisticados de audio e vídeo que a formiga usava para saber quando havia alguém em apuros. A cigarra decidiu mostrar também o seu ninho à formiga e foi a vez desta se admirar: era uma casa bonita, limpa e muito tradicional. A cigarra mostrou-lhe os casulos que tricotava e que vendia a alguns insectos e a formiguinha ficou encantada. Ambas prometeram nunca revelar a verdade sobre a sua outra personalidade.
Assim, no Inverno, quando a cigarra foi bater à porta da formiga, os outros insectos pensaram que aquela formiga sovina e emperdenida, lhe negara ajuda e nunca souberam que quer dentro da casa da cigarra, quer dentro da casa da formiga havia comida em muita abundância.
Então, meus meninos, qual é a moral da história?
publicado por impressoesdigitais às 19:05
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Quinta-feira, 3 de Novembro de 2005

Impressões sobre discriminação

Quase três horas de reunião fizeram-me perceber a razão de, pela primeira vez, não conseguir nutrir sentimentos de simpatia para com uma turma. Não me interpretem mal, trato estes alunos bem, mas trato-os simplesmente como alunos, com um mero profissionalismo, sem envolver sentimentos. É curioso, já tive turmas de alunos problemáticos, que me complicavam a vida nas aulas e alunos que quase me fizeram cair em depressão, mas sabiam, salvo um caso ou outro, os nossos problemas ficavam pela sala de aula e acabava por nunca lhes guardar qualquer resentimento, e de uma maneira global gostar deles, já que mesmo nos alunos mais problemáticos via que, fora da sala de aula, até eram "boas pessoas".
Tal não acontece com esta turma. Foram-me "vendidos" como uns "meninos lindos", mas logo nas primeiras aulas percebi que não eram assim tão "lindos". Infelizmente os "meninos lindos" são preconceituosos, marginalizam os colegas que são diferentes. Há um aluno desta turma que, em particular, é posto à parte e tudo porque é um bocadinho diferente. Não vou aqui especificar a diferença que origina a discriminação porque toda a discriminação se baseia em preconceitos ridículos (se é que algum preconceito não o é) e nada justifica que se chamem nomes a este miúdo, seja o último a ser escolhido para formar equipas em Educação Física e que ninguém se sente ao lado dele a não ser obrigado.
Talvez por ter também eu sentido na pele a marginalização quando era adolescente, fico sempre mais sensível a estes casos, apesar de nunca ter vivido um caso tão dramático como o deste rapaz. Mas sei o que é ter de passar os intervalos sozinha, ninguém me chamar para formar um grupo de trabalho, ser a última a ser escolhida nas aulas de Educação Física e a dor que se transforma gradualmente em raiva impotente até se conseguir transformar em indiferença aparente. Passei por isso, sobrevivi a isso graças à força interior que tenho e isso transformou-me numa jovem adulta que não consegue aceitar a discriminação, mas que continua a sentir-se tão impotente para a travar, como há dez anos atrás quando dela era vítima. É que eu consegui ultrapassar e, apesar de às vezes vacilante, tenho consciência de mim própria, do que sou e do que valho. Mas vi outros, mais fracos, não resistirem. Vi uma amiga que se enfiou numa depressão tão profunda que até hoje não se conseguiu libertar, porque os meus colegas de turma foram crueis com ela e eles também eram "meninos lindos".
Sinto-me impotente, consciente de que mudar mentalidades e desfazer preconceitos é uma tarefa muito complicada, mas vou tentar e quem sabe, talvez no final do ano lectivo, consiga chamar a alguns destes alunos "meninos lindos".
publicado por impressoesdigitais às 22:53
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